quinta-feira, abril 27, 2006

Encontro


Estou indo ao encontro
de um sentido para a vida
um trabalho, um companheiro
que não ocupe o dia inteiro
que perfume suavemente
minha pele, minha alma
e que minha ânsia acalme

quinta-feira, abril 20, 2006

Mãos Mágicas

Ágil nos dedos
que movem a tesoura
Delicado no toque
da mecha que
Corta
Modela
Acaricia
Busca a melhor moldura
para o rosto do espelho

O olhar é dedicado
e crítico
Vê, além dos fios,
o desejo de quem
se entrega
às mágicas mãos
que deslizam
transformam e
vestem a cabeça
de nova imagem
e idéias novas


Escrito para o Flávio, do Tifs

quarta-feira, abril 19, 2006

Ressurgir

Ressurgir

Páscoa, Nova Vida
recomeço
Páscoa, repensamento
resgate
Páscoa, nova crença
planos
Páscoa, ida e volta
reencontros
com a fé
com a família
com amigos
para além do viver
simplesmente


Este poema está publicado no http://www.blocosonline.com.br/literatura/autor_poesia.php?id_autor=3030&flag=nacional

Alegria


Onde está minha alegria?
Em que esquina da vida
Ela ficou esquecida?
largada?
perdida?
Vou encontrá-la...
Ainda consigo tê-la
Deve estar abandonada
em escadas escuras
buscando luz

Onde está minha alegria?
Posso encontrá-la dentro de mim
no convívio com os outros
nas pequenas realizações
nos olhares infantis
nas brincadeiras do dia-a-dia
Vou encontrá-la
libertá-la, pegá-la
e soltá-la
para contaminar.

Alegria presa é tristeza

Sono e Insônia


Basta me deitar
para que o sono se vá
e as idéias venham
Falas e diálogos se embrenham
E se misturam
a imagens e histórias
notórias

O pensamento
me enche e preenche
de internas vozes
até que o sono volte
me adormeça
e lentamente eu goze
Do descanso que mereça

quarta-feira, abril 05, 2006

Escaladas


Há montanhas
Que não desejo escalar
Apenas observar
Me apropriar
de sua beleza e imponência

Há rochedos
Que quero transpor
Encontrar o lado de lá
Conhecer e escolher
Meu contínuo devir de ser

Eu e Você

Você está ao meu lado
Nossos corpos se tocam
E... te sinto tão distante

Quando você está longe
Te percebo mais próximo
Estranho


Esta distância entre nós
Que sinto tão real
Me parece sem igual

Não somos mais nós
Somos Eu e Você
Sós

Trocas

Troco meu amor
Por seu carinho
Troco minha cama
Por seu colo
Pra não ficar sozinha
Troco meu conforto por presença
Troco por seus beijos
Todos os outros desejos
Só não troco a liberdade conquistada
Por prisão dourada
É minha crença
Estarmos juntos por prazer

Casulo

Aprendi a me esconder
E está difícil desaprender
Parece inseguro
Sair do casulo
Desmanchar as amarras
Libertar meu corpo,
Meu tudo
Viver, conviver
E manter-me singular


Maria Angélica/Bilá

Crescimento


Subir as escadas
Um degrau por vez
Sentir a textura
Curtindo o contato
Encontrar um sentido
Em cada etapa da subida
Cair... levantar...
Quando chegar
Saber que viveu

Serenidade


Sair de casa à toa
Caminhar a pé
Olhar em volta sem medo
Cumprimentar pessoas
Indiscriminar
Ter fé

Andar sem rumo
Observar belezas
Esquecer as horas
Colher amoras
Sujar os dedos...
Colorir os lábios

Despreocupar
Introjetar extrovertir
Sorrir com alegria
Estar e viver em paz
É simples
E sereno

Cicatrizes


Não procuramos
Ter feridas
Porém, muitas vezes
Não conseguimos
Evitá-las
Ficam as cicatrizes
Sinal da saúde
Do organismo
Ficam as cicatrizes
Lembrança
De que o corpo reagiu.

O problema existe
Quando as feridas
Não fecham
E não sabemos
Por que... para que
Precisamos mantê-las
Abertas... sangrando
E nos lembrando
Não da saúde do corpo
Mas da doença
Que se mantém a
Machucar-nos

sexta-feira, março 24, 2006

Tecendo noite em BH

Estrelas artificiais
se espalham
A cidade se estende
à frente
escala montanhas,
tantas
e tamanhas
Em meio ao escuro
mar
de pisca-piscas
reluzentes
como varais de luzes
ficam a
brilhar

Noite de nuvens no espaço
Noite de estrelas na Terra
em Beagá

Descanso

Descanso


no rádio
música
relaxa
hora após hora

o sono se perde
melodia sonora
hipnótica
se entranha
olhos se cerram
ao externo

no interno
adormecem


Vistas


Montanhas e montes
de Santo Antônio
e Belo Horizonte
são paisagens
que me encheram os olhos
da infância à maturidade

Me atraem a vista
e o pensamento
que busca superá-los
enxergar o que há de lá
A vida chega e continuo
a buscar asas para voar

Passeio de Domingo


do metrô se avista BH
e seus contrastes
aqui pequenas favelas
e seus trastes

ali prédios, janelas
e do Curral a serra
beirando a linha
plantas, cavalo, mato

represado o Arrudas
ribeirão contaminado
viadutos
via expressa
estação rodoviária

desço nesta e
sigo a pé
por ruas do centro
na direção do
horizonte, belo

Da Janela

Quando se acorda cedo
nesses tempos de inverno
pode-se alcançar
o despertar do dia

É tímido o sol, não urge
chega mais tarde
porém quando surge
atrás da Serra do Curral
há uma explosão de luz

cobre serra, prédios, vegetação
se descerra em manto
se conduz sobre os bairros
gera luz e sombra

forma um quadro móvel
natural obra de arte
que se vê em todo alvorecer
da janela

Capital Humanizada

Morar na capital
sentir-me no interior

Morar na capital
ser reconhecida
reconhecer
pessoas que passam
pelas ruas

cumprimentar e conversar
perguntar pela saúde da avó
pelo rendimento escolar do filho
dar notícias do senhor da esquina
que passou mal
mas já melhorou

Morar na capital
e encontrar a casa dos amigos
sem saber o número ou
o nome da rua

Morar na capital
e ter como referências
de localização
um sinal
( mais que mapas e plantas)
pessoas e lugares comuns:
mercado, farmácia
banca de revistas
a lanchonete onde
se faz suco de açaí
próxima ao Banco onde o gerente
se chama Jaci

Ainda é assim a BH dos mineiros
que se recusam a serem
engolidos e mecanizados
pela modernidade
na metrópole que cresce
ligeira

Mantêm a cidade
a serviço dos seres humanos,
faceira

Braços Abertos

Olha moço
que bela cidade
se descortina
à frente de nossos passos
Parece menina!

Depois da chuva
livre do pó
a cidade remoça

Veja as pessoas
caminhando
tranqüilas.

Não é dia de trabalho.
Alguns trabalham
ambulando
suas mercadorias
próximo à rodoviária.

Não há pressa
o dia é longo

Quase deserta
a cidade recebe
o visitante
e o habitante
que regressa
à capital
Belo Horizonte
recebe
de braços
abertos.

sábado, março 18, 2006

Ensinanças

Deixar que meu saber
apareça
e o outro
o conheça
Escutar do outro
o saber
entrelaçá-los
tecer
informes novos
meus e deles
Retornar com
outros saberes
num vai-vém
de aprender